Europa sem motor a combustão em 2035 – mas Alemanha, Itália e outros discordam

No total, já são 6 países que rejeitam a proposta aprovada no Parlamento Europeu de banir carros a combustão: Itália, Romênia, Bulgária, Eslováquia e Portugal foram seguidos pela Alemanha em rejeitar a proposta. Entenda.

Em julho de 2021, a Comissão Europeia, entidade responsável por representar os interesses econômicos de 27 países europeus, apresentou um plano com algumas diretrizes que visam diminuir a emissão de gases poluentes na atmosfera e, para alcançar esse objetivo, priorizam a sustentabilidade nos transportes. A principal proposta diz respeito aos carros com motor a combustão, que deixariam de ser vendidos nos países que compõem o bloco a partir de 2035, pois o grande objetivo da Comissão é conseguir que, após essa data, os veículos novos sejam totalmente sustentáveis, ou seja, não emitam nenhum tipo de gás poluente. Dessa forma, segundo a proposta, apenas veículos 100% elétricos poderão ser vendidos no Velho Continente a partir de 2035.

A proposta foi aprovada em junho deste ano e, teoricamente, teria validade para todos os países membros.

Porém, recentemente, um documento foi distribuído e assinado por cinco países do bloco europeu que discordam da proposta. Nesse documento, Itália, Romênia, Bulgária, Eslováquia e Portugal sugerem que, até 2035, o corte seja de 90% no número de carros responsáveis pela emissão de gases poluentes, postergando a meta de 100%, ou seja, a completa proibição da comercialização de carros que emitem CO2, para 2040. Segundo a Reuters, uma autoridade búlgara, que preferiu não se identificar, afirmou ser necessário pensar também nos fatores sociais e econômicos de cada um dos 27 países membros da Comissão ao propor políticas climáticas.

Para piorar, a Alemanha se juntou à lista dos países que não concordam com a proposta.

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A Comissão Europeia, porém, rebate dizendo que a data de 2035 foi escolhida considerando que a vida útil de um carro novo é de, em média, 15 anos. Nesse caso, postergar por mais cinco anos a proibição da venda de carros responsáveis por emitir gases poluentes impediria o continente de, até 2050, zerar as emissões de tais gases. 2050 é um marco delimitado por cientistas, que projetam ser impossível reverter tragédias climáticas após essa data.

Fabricantes como a Volvo Car e a Ford se manifestaram favoráveis à proposta apresentada pela Comissão Europeia, assim como a Volkswagen, que trata como um de seus objetivos a eletrificação completa de seus veículos até 2035. A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis, por sua vez, é contra a proposta, e justifica sua posição afirmando que não há certeza sobre o lançamento de carregadores para os carros elétricos até 2035. Diante dessa preocupação, a União Europeia disse estar pensando em uma lei para exigir que os países membros do bloco preparem planos para instalar carregadores em seus territórios.

Manifestação contrária à proposta chega após aprovação pelo Parlamento Europeu

Na primeira semana de junho de 2022, o Parlamento Europeu aprovou a proposta da Comissão Europeia: foram 339 votos a favor, contra 249 votos contrários e, ainda, 24 abstenções. Jan Huitema, relator da proposta no Parlamento, destacou a necessidade de as normas serem aprovadas, pois assim as montadoras teriam clareza do cenário e poderiam buscar por soluções concretas a fim de se adequar à emissão zero de dióxido de carbono.

Porém, o número não tão elástico de votos favoráveis em comparação com os votos contrários à proposta pode seguir gerando discussão, especialmente porque ainda é preciso negociar junto a cada país membro do bloco europeu a adoção das iniciativas propostas. Devemos ter intensos debates sobre o tema nos próximos meses, especialmente porque a proposta agora está sob análise do Conselho Europeu, que deverá decidir até outubro de 2022 se é favorável ou não às metas estabelecidas.

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De qualquer forma, a aprovação pelo Parlamento representa um passo importante, mesmo que não seja definitiva. Segundo informações apresentadas pela Comissão Europeia, os carros a combustão são responsáveis por cerca de 15% da emissão de gases poluentes no continente europeu. Por isso, proibir a venda desses modelos seria um passo importante para cumprir a proposta de diminuir consideravelmente a emissão de gases poluentes na atmosfera e tentar reverter o quadro ambiental grave que o mundo todo já está enfrentando. Nesse caso, uma aprovação definitiva na Europa pode significar mudanças no mercado de automóveis ao redor de todo o mundo nos próximos anos.

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