Kit de hidrogênio veicular economizador de combustível – funciona?


Com a alta no preço de combustíveis, muitos motoristas estão buscando alternativas para economizar combustível. Mas funcionam?

Não é incomum na atualidade que surjam soluções para reduzir o consumo de combustível de veículos automotivos, especialmente os carros. De ímãs especiais, que controlam o fluxo, até dispositivos à vácuo, é comum encontrar diversas soluções em anúncios da internet. Uma que tem se destacado na atualidade são os kits de hidrogênio. Entretanto, muitas pessoas ainda têm dúvidas quanto à eficácia deste recurso.


Veículos movidos a hidrogênio existem

Veículos movidos a hidrogênio já existem. Toyota Mirai é um exemplo. Aliás, a própria Toyota já vem testando um protótipo de célula de hidrogênio portátil, previamente carregado. O Quantino 48V usa água salgada, mas com dois compartimentos com carga positiva e negativa, em separado (ainda assim, não vimos nenhum veículo sendo vendido no mercado, gerando dúvidas quanto à viabilidade da tecnologia). Mas atente-se ao que dissemos: trata-se de célula de hidrogênio, que utiliza eletrólise para gerar energia elétrica, não hidrogênio para ser queimado junto à gasolina, como nos kits em questão. É uma engenharia completamente diferente.


Kits de hidrogênio veicular geram hidrogênio para combustão

É interessante destacar que o princípio básico dos kits de hidrogênio veicular é de que esta substância vai, teoricamente, servir para queimar junto à mistura de gasolina e ar, economizando parte da gasolina necessária ainda na admissão. Desse modo, o consumo seria reduzido, bem como a emissão de gases poluentes. Este processo seria possibilitado pelo fato de que o hidrogênio é mais inflamável que a gasolina, de modo que ele acabaria exigindo menos do motor dos carros.


O processo de eletrólise da água, responsável pela obtenção do hidrogênio, já é conhecido há séculos e não se trata de algo complicado. Basta que dois eletrodos estejam inseridos na água e uma corrente passe através dele. Então, bolhas de oxigênio serão formadas por um dos eletrodos e o outro será responsável por formar as de hidrogênio.


Eficiência do processo de eletrólise

Entretanto, o processo em questão não pode ser considerado 100% eficiente. Parte da energia elétrica presente neste sistema será perdida. Embora a eletrólise tenha passado por uma série de melhorias ao longo dos anos, atualmente o máximo de eficiência que ela consegue atingir é 80% da energia gasta para quebrar a molécula. Vale a pena somente se a fonte de energia usada para a eletrólise for mais barata que a energia obtida a partir dela. Um ponto que fez Elon Musk, fundador da Tesla, maior fabricante de carros elétricos do mundo, ter questionado o processo (apesar dos produtos da Toyota).

Porém, é interessante ressaltar que, por isso, tal recurso pode não ser verdadeiramente econômico quando se fala da gasolina. Isso acontece porque grande parte dos vendedores que está comercializando os kits que se encontra pela internet está vendendo geradores de hidrogênio de pequeno porte. Supostamente, eles seriam suficientes para atingir este objetivo e reduzir o consumo de combustível em até 40%. Mas vale pontuar que isso não chega nem perto de ser uma verdade, haja vista que precisam da energia gerada pelo próprio veículo para gerar a eletrólise.

Testes práticos

Algumas pessoas têm se dedicado a fazer vídeos demonstrando que os kits de hidrogênio veicular não funcionam. Nesses vídeos, ele é apontado como um golpe e algo que parece custar barato, mas que pode gerar uma série de prejuízos para quem decide comprar. Vamos entender o motivo.

Para começo de conversa, como dissemos, tais kits normalmente demandam energia para começar o processo de eletrólise. Daí que consomem energia da bateria do carro. Na melhor das hipóteses, após a partida e o começo da viagem, “reaproveitam” a energia elétrica gerada pelo alternador (que, por sua vez, provém da energia química da queima do próprio combustível), para promover a eletrólise e gerar o hidrogênio. Claro, com perdas, pois, como dissemos, com máxima eficiência o sistema consegue gerar, novamente, 80% da energia gasta para gerar a eletrólise.

Mas piora: carros a combustão têm centrais de injeção muito bem calibradas para queima de mistura de ar e combustível fóssil. Não foram feitas para queimar um gás estranho, o hidrogênio, por mais que ele seja inflamável. Com o tempo, problemas podem aparecer no motor, na sonda lambda, etc.

Veredito

Em testes, foi constatado que tais kits, em geral, reduzem a potência do veículo sem realmente reduzir com o consumo de combustível, que seria o mais importante. Confira um teste abaixo:

Veredito: melhor não comprar, provavelmente não funcionará e pode danificar seu carro.



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