Ford Brasil: possível fim das concessionárias e lançamento de carros elétricos


Saiba quais são as intenções da companhia que recentemente encerrou suas atividades no mercado Brasileiro.

Desde o último anúncio da companhia, o mercado automotivo ficou surpreso com as decisões que a Ford vem tomando, em relação as operações no Brasil. No ano passado, a empresa anunciou o término da produção de automóveis em nosso país e acrescentou ainda, informando que pretendia encerrar as atividades de todas as fábricas até o final de 2021.


A direção da empresa havia informado que os quatro modelos de veículos fabricados pela companhia, continuarão sendo vendidos, até que haja disponibilidade em estoque.


A notícia desde então além de chocar o mercado automotivo, foram impactadas também as empresas, fornecedores e parceiros que dependiam da companhia para relações comerciais.


Término das atividades da Ford no Brasil

O CEO Da Ford, Jim Farley, em declaração salientou que o motivo de ter encerrado as suas atividades no Brasil, foram com intuito de reduzir a capacidade ociosa de algumas fábricas. A decisão, teve fundamento na baixa produção e venda, durante o momento da pandemia.


O diretor da empresa, informou ainda que a Ford tem adotado sistemas de produção cada vez mais enxutos e pretende diversificar o seu mix de produtos, fornecendo novidades, que visam atender as expectativas mundiais no quesito auto.

Uma observação importante é que a empresa continuará prestando toda assistência aos proprietários dos veículos, inclusive fornecendo manutenções programadas, e peças de reposição. "Não há motivo para preocupação", acrescentou ainda o CEO, da Ford.

Importação de veículos Ford no mercado nacional

O fechamento das fábricas da Ford no Brasil, não quer dizer que não teremos novos modelos para compor a frota de veículos Ford no Brasil.

A empresa informa que continuará presente no mercado automotivo brasileiro, porém sem fabricação local, apenas por meio de importação.

Ford e a produção de carros elétricos no mundo

Pouco tempo após o anúncio do fechamento das fábricas no Brasil, surgiram rumores que a empresa queria direcionar os seus esforços na produção de frota elétrica.

Foram mais de 101 anos de atuação no Brasil, e agora a empresa pretende atuar em novos mercados, como o de carros elétricos. Uma pista dada pela empresa, foi fornecida no pronunciamento do presidente da unidade americana, Kumar Galhotra.

"Nossa intenção é fornecer veículos elétricos de maneira popular. Produzir modelos que sejam acessíveis e com baixo custo, e não somente focar em carros de luxo que custam acima de seis dígitos".

Como a frota brasileira ainda não está preparada para ser trocada por modelos elétricos, a empresa resolveu direcionar sua produção ao mercado global. A Europa por exemplo, já tem até mesmo uma data para que haja a proibição de carros que não sejam elétricos: 2035 para a União Europeia, e variando entre 2030 e 2040 em legislações específicas de cada país.

Inclusive, a medida de focar na produção de carros elétricos foi impulsionada também, pelo crescente avanço das grandes potências como Tesla e Volkswagen, que já estão com a produção a todo vapor no mercado americano e principalmente europeu. O plano da montadora Ford é de eletrificação da companhia, oferecendo soluções híbridas e elétricos puros.

Especificamente para o Brasil, porém, não há nenhum plano de carros elétricos revelado.

BNDES exige explicações da montadora

A saída da Ford do Brasil, impactou diretamente a grande malha de trabalhadores que operavam nestas fábricas, ao todo são mais de 5,3 mil funcionários somente na cidade de Camaçari na Bahia. Além da perda de seus empregos, o BNDES exige da montadora explicações plausíveis por ter abandonado projetos sociais que estavam em andamento, e dois empréstimos vigentes. Até o momento da emissão desta matéria a Ford não havia se pronunciado.

Bom, parece que para nós brasileiros o sonho de ter carros elétricos produzidos em solo nacional, está cada vez mais distante. Pois, por questões econômicas e entre outras variáveis, ainda não estamos capacitados a termos a inserção deste tipo de veículo em nossas rodovias, apesar de sermos um dos países que mais possuem força motor vinda de energia elétrica.

Fim das concessionárias

A situação atual da companhia em nosso país é um pouco delicada, pois com a produção apenas no exterior, algumas concessionárias não terão outra alternativa a não ser em fechar suas portas, ou migrarem para outras marcas. A rede da montadora no Brasil, contava em média com 283 pontos de venda, sendo administrados por 137 empresários. A empresa salienta que pretende manter ao menos 120 unidades ativas, quantidade essa que a direção da Ford julga como ideias para continuação do negócio. A empresa se pronunciou ainda, que pretende trabalhar no Brasil apenas com a venda direta, através da importação de alguns modelos em específicos. Não foram definidos ainda, quais serão os modelos que serão importados para o Brasil, a tendência é que sejam veículos categoria Luxo.

A tendência de fim das concessionárias, contudo, não é algo limitado ao Brasil, mas sim uma realidade uma mundial. Tem sido comum, mundo afora, o sistema de assinatura de carros (o já popular leasing americano é um exemplo), além da venda direta pela internet. A própria Tesla, maior fabricante de carros elétricos do mundo, não tem rede de concessionárias.

Texto de Adriana Silva Souza



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