Volta dos Radares Móveis nas Estradas Federais



Justiça derruba determinação que proibia o uso de radares móveis em estradas federais.

Em agosto deste ano (2019), o Diário Oficial da União (DOU) publicou decisão do presidente Jair Bolsonaro que consistia na eliminação dos radares móveis das rodovias federais do país. Mas agora a Justiça, por meio do juiz Marcelo Gentil Monteiro, derruba mais essa decisão do presidente e os radares devem voltar a funcionar.

A determinação judicial, publicada no Diário Oficial da União no último dia 11 de dezembro de 2019, ordena que, em até 72 (setenta e duas) horas, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) retome essa prática de fiscalização. Uma multa diária de R$50.000 (cinquenta mil reais) é a punição caso a determinação judicial não seja cumprida pelo governo federal. Mas você sabe qual a importância do uso de radares móveis?



Radares móveis e estatísticas

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil está no quinto lugar em mortes causadas por acidentes no trânsito. E as principais vítimas são crianças e jovens entre 5 (cinco) e 29 (vinte e nove) anos de idade. Houve um aumento do número de mortes nas estradas em todo o mundo nos últimos anos; mas os especialistas indicam que, nos países em que houve diminuição do índice de acidentes, isso foi resultado de leis mais severas que visam combater as principais causas desse problema mundial, que são: alta velocidade, consumo de bebida alcoólica, ausência de cintos de segurança ou de cadeirinhas para crianças, por exemplo.

Veja também:  Kia Sorento 2021 - Características, Especificações

No que concerne ao uso de radares móveis, essa medida visa controlar os motoristas mais afoitos e irresponsáveis, aqueles que pisam no acelerador sem se preocupar se estão pondo em risco a própria vida ou a de outros. Os radares móveis podem registrar velocidades acima do permitido na via, mesmo que estejam a uma grande distância do veículo, o que pode coibir também aqueles motoristas “espertinhos” que só diminuem a velocidade ao se aproximarem de um radar.



Os radares móveis podem ser manuseados por agentes de trânsito ou apoiados em um tripé. Caso o veículo na via esteja acima da velocidade permitida, a sua placa é fotografada. Já os radares inteligentes podem até mesmo ter acesso ao arquivo no Detran referente ao veículo em alta velocidade; nesse caso, o carro pode ser parado por uma blitz caso possua outras irregularidades. É o uso da tecnologia com o intuito de educar motoristas, coibir infrações e salvar vidas.

Veja também:  Carro Sedã - Modelos Mais Econômicos e Mais Gastadores 2019

A suposta “indústria da multa” e os fatos

Os motoristas brasileiros se mostram pouco conscientes, e só se preocupam com o dinheiro que podem perder com as multas, em vez de se preocuparem com as vidas que podem ser perdidas devido à irresponsabilidade de maus condutores. Falta aos motoristas brasileiros a educação no trânsito. E na falta dela, os instrumentos punitivos são ainda a melhor opção.

O objetivo dos radares, sejam fixos ou móveis, é portanto tornar o trânsito nas estradas brasileiras mais seguro e evitar tantas mortes. A defesa de que esses equipamentos existem apenas para alimentar uma suposta indústria de multas ou que eles desvirtuam o caráter pedagógico é infundada.

Isso porque, em primeiro lugar, uma suposta “indústria da multa” só existiria sem fiscalização estatal. Assumir a existência dessa “indústria” é apontar a própria ineficiência do Estado. Em segundo lugar, a coerção a esses maus motoristas é também pedagógica, a “pedagogia do bolso”, eles aprendem que devem cumprir as regras ou pagar pela infração cometida.

Veja também:  Chevrolet Bolt Elétrico 2020 - Lançamento e Preço no Brasil

Esses ataques aos radares são feitos sem nenhum estudo técnico, e não passam de afirmações levianas, sem comprovação, achismos que confundem mais do que esclarecem, que prejudicam mais do que ajudam. E mesmo que existisse uma tal indústria da multa, a melhor forma de combatê-la é com a punição legal dos responsáveis, não com a extinção de um mecanismo de coerção a infratores das leis de trânsito brasileiras.

Os detratores dos radares móveis parecem estar mais interessados em conduzir em alta velocidade e sem punição do que em defender leis que tornem o trânsito brasileiro mais seguro para todos. Em vez de combater a tecnologia dos radares, deveriam combater a má formação dos motoristas brasileiros e pedir a punição para os integrantes desta suposta “indústria da multa” cuja existência eles tanto defendem sem apresentar sequer um fato concreto.

Texto escrito por Warley Matias de Souza.

Inserir um comentário

Moderação de comentário está ativada. Seu comentário pode demorar algum tempo para aparecer.