Quando financiamento e leasing vale a pena (e quando não vale)



Financiamento de carro ou leasing é algo controverso. Os juros aplicados sobre um carro comprado em 60 parcelas são normalmente tão altos que fazem o carro custar até 50% a mais. E isso é regra, não exceção. Não é brincadeira não aquela história de se pagar R$ 50 mil em um Fiesta básico não.

Mesmo assim, financiamento visa facilitar a compra de um carro. Mas deve ser encarado com ressalvas, pois você está se comprometendo a dar uma parcela da renda do seu trabalho futuro. E se você ficar desempregado? Já pensou?



No entanto, juros de financiamento de carros, mesmo altos, costumam estar entre os mais baixos do mercado. E é bom calcularmos bem para termos uma ideia de quanto vamos pagar. É comum, hoje, em 2009, que os juros fiquem na faixa de 20% ao ano, dependendo do método de cálculo. Parece muito, mas outras modalidades de empréstimo e financiamento costumam ter juros mais elevados. E financiamentos costumam ter parcelas fixas, que não são corrigidas pela inflação.

A conclusão a que chegamos é que o carro não sai tão mais caro quanto pensamos. Com inflação a 4% ou 5% ao ano, uma parte do valor das parcelas acaba sendo compensada. Se você é assalariado, é provável que tenha aumentos de salários durante o período e se você é empresário, é provável que seu negócio tenha um crescimento no período. Além disso, o dinheiro que você deixou de gastar no carro, aplicado, vai te render algum juro (juro sobre juro, ao contrário do financiamento) e ajudar a cobrir o custo do financiamento. Isso se aplica inclusive ao dinheiro que você vier a economizar depois.

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Mesmo assim, o fato é que para a maioria das pessoas os juros ainda saem mais caros que quaisquer retornos em investimentos ou aumentos de salários. Normal, não fosse assim, bancos e financeiras não ganhariam dinheiro no negócio. Mas há perfis de pessoas para quem o financiamento vale muito a pena. São pessoas que podem colocar seu dinheiro em investimentos que deem maior retorno.

Para quem vale a pena

Entre essas pessoas se encontram empresários que costuma reinvestir no próprio negócio. Um investimento que dê retorno de 2% ao mês costuma ser bem arriscado, seja na bolsa de valores, seja em imóveis. Mas este retorno pode ser até maior e com um risco menor quando reinvestido no próprio negócio. Neste caso, se o empresário pretende trocar de carro e não dispões de muito dinheiro no momento, o financiamento do carro sai muito mais barato que um empréstimo de banco, que pode ter taxa de 4% ao mês. Comparado ao cheque especial, então, nem se fala. O juro é muito menor.

Também podemos encontrar, nestes grupos, os investidores. Gente que compra imóveis ou ações esperando que seu preço suba. Isso é bem mais arriscado e não é para qualquer um. Mesmo os profissionais tarimbados costumam sofrer perdas de vez em quando. Mas para quem entende, pode ser bom negócio. Quem financiou um carro em fevereiro, colocando o dinheiro na bolsa de valores, por exemplo, se saiu muito bem. O índice Bovespa ficou praticamente o mês inteiro abaixo de 40 mil pontos, e está em 57 mil pontos agora. Qualquer financiamento de carro teria sido coberto aí e o que vier daqui para frente é lucro, desde que as ações não caiam. É uma questão de análise de risco.

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Para quem não vale a pena (do ponto de vista financeiro)

Isso é uma questão de ponto de vista. No meu, para boa parte dos assalariados não vale a pena, financeiramente. Uma que esse pessoal não costuma ter acesso ou tempo para modalidades de investimento que deem retornos que compensem um financiamento de veículo. Outra que a dependência de uma única fonte de renda, o emprego, pode complicar sua vida caso tenham de passar um tempo procurando por outro trabalho. Ficar sem renda não é incomum nestes casos.

Mesmo assim, se seu emprego paga bem e você precisa ou quer muito um carro novo, se gastar até uns 20% do seu orçamento com fnanciamento, pode ser que valha a pena, inclusive financeiramente. Só ter em mente que vai pagar mais caro no fim das contas. Mas se você estiver gastando mais que isso e não estiver conseguindo guardar dinheiro, ou se comprometer uma parcela maior do seu orçamento com o financiamento, aí você já avança para uma faixa de perigo. Guarde dinheiro suficiente para poder sobreviver alguns meses sem emprego, sem se apertar.

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Tudo questão de pesar prós e contras. Afinal, a sensação de um carro novo na garagem também tem seu preço. Se fossemos analisar tudo estritamente do ponto de vista financeiro, a maioria das pessoas poderia continuar com carros de 30 anos atrás e ir fazendo reparos. A questão aqui é te passar uma base para que você possa fazer o financiamento sem comprometer o sustento de sua família, sem se endividar e sem correr riscos desnecessários.

Conclusão

Juros de financiamento e leasing são altos ainda. Como a dívida é grande, convém pensar com muito cuidado aquilo que pode dar errado em sua vida, fazer as contas e ver como vai se virar se a renda diminuir ou simplesmente cessar, por um período. Ter um fluxo de caixa positivo, ou seja, guardar mais do que gasta, durante o financiamento, é fundamental. Por outro lado, gastar o dinheiro na compra de um carro à vista pode representar o que se chama de custo de oportunidade, de você não ter o dinheiro todo quando uma oportunidade boa para ganhar mais aparece. Analise sua situação, pese sua necessidade e riscos e veja qual modalidade vale a pena para você (e se não vale a pena adiar a compra).

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