A indústria automobilística se prepara para a retomada do mercado, frente à perda de força da crise econômica mundial. O cenário parece positivo, apesar do possível efeito de retração nas vendas provocado com o fim da redução do IPI.
A oportunidade de crescimento do setor surge com o aumento na disponibilidade de crédito e uma melhora nas exportações.
A boa expectativa vem da análise do quadro econômico que prevê o aumento do PIB de até 4,3% para o próximo ano em relação aos índices de 2009. Além disso, a taxa Selic deve se manter abaixo de 9% e há previsão de redução nos níveis de inadimplência.
Os números não mentem. E mostram que as vendas de automóveis novos em julho teve uma recaída de 5,5% em relação ao mês de junho. Sendo que no mês de julho, foram registrados 243 138 emplacamentos de carros de passeio, de acordo com o divulgado pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
Mesmo com a retraída do mercado, o saldo é positivo se comparado ao mesmo período em 2008, registrando alta de 0,2%, que originam de um volume de 1 667 245 unidades ante 1 611 145 modelos vendidos entre janeiro e julho do ano passado.
O mês de julho registrou uma queda de quase 6% nas vendas de carros novos, mas os consumidores mostraram que veículos como picapes e outros modelos esportivos, não ficaram por baixo, e registraram uma leve ascensão de 0,3%, no número de veículos vendidos em julho de 2009 sobre o alcançado em 2008. Com essas marcas o setor soma 3,4% de alta em veículos vendidos do início do ano até julho, em relação ao mesmo intervalo do ano pretérito.
Foi registrada uma queda nas vendas de carros da montadora alemã BMW de 18 %. A fabricante de automóveis registrou uma queda nas vendas de carros em comparação ao ano anterior. Os modelos BMW, Mini e Rolls-Royce, foram os que mais sentiram as dores causadas pela crise econômica.
A montadora alemã BMW vendeu 725.377 veículos e 56.578 motos no primeiro semestre de 2009 e mostrou um desempenho menor que o atingido no mesmo período em 2008.
Em alta no setor automobilístico, a crise foi apontada pela a montadora como a maior coadjuvante da queda nas vendas mundiais neste ano.
Nos EUA, carro velho dá dinheiro. Foi sancionado pelo Senado dos EUA o projeto “CARS”, que acontece da seguinte maneira: o consumidor troca o carro velho por um novo e menos poluente e ainda recebe uma quantia de dinheiro que varia US$ 3,5 mil a US$ 4,5 mil, como agradecimento pela boa ação.
Segundo os criadores do programa, o “CARS” foi desenvolvido para alavancar o setor automobilístico nos EUA e ainda diminuir a poluição do ar. Os números mostram que o programa tem dado certo, em uma pesquisa feita com as concessionárias em todo o país, foi constatado que a maioria dos consumidores escolhe veículos menores e mais econômicos no uso de combustível.
Com a aplicação do programa as vendas de automóveis sentiram um melhora nos últimos meses e montadoras como General Motors e Toyota, são as que mais registraram um aumento no número de vendas de carros.
Apesar do pedido de concordata da GM dos Estados Unidos, o vice-presidente da GM Brasil afirma que as operações da montadora no Brasil não vão mudar.
Nos EUA, a GM já captou um capital de 50 bilhões de dólares do governo americano, o que fez com que o governo ficasse como sócio majoritário da companhia (cerca de 60% das ações).
No Brasil, José Carlos Pinheiro Neto (vice-presidente da GM), afirma que nada (ou muito pouco) mudará, uma vez que a GM Brasil é lucrativa atualmente, ao contrário da americana.
Até mesmo os investimentos (que devem somar R$ 1 bilhão até 2012) serão mantidos, o que mostra uma certa independência da matriz.
As vendas de carros na Alemanha subiram 19% em abril, se comparado com o mesmo período do ano passado. O plano do governo de “sucatear” carros antigos para estimular a compra de carros novos parece ter funcionado.
Os dados apontam a venda de mais de 380 mil veículos em abril, porém, ainda menores que março quando cresceram cerca de 40%.
O “plano de sucateamento” oferece ao proprietário de veículos com mais de 9 anos de idade o recebimento do equivalente a 2500 Euros (cerca de R$ 7 mil). Podiam aplicar isso no Brasil, hein?!
A Inglaterra quer se espelhar nesse plano alemão, e deve aplicá-lo em breve no Reino Unido.
Já na França e Itália, as vendas caíram 7% e 7,5%, respectivamente.
A lei da oferta e procura é algo que funciona sempre, em qualquer mercado de massa, como o de carros. Quando baixam os preços, é normal que a demanda aumente e foi exatamente isso que aconteceu no Brasil. Com a queda abrupta do preço dos carros, as vendas de automóveis novos cresceram respeitáveis 15,56% quando comparadas a janeiro (um mês que já foi melhor que dezembro, aliás).
Em comparação com fevereiro de 2008, o aumento também foi muito bom, de 7,4%.
De fato, o Brasil está passando muito bem pela crise. Os mercados dos EUA, Europa e Japão estão todos em queda, reflexo da perda do PIB daqueles países, que está com crescimento negativo até.
Em meio a Crise Econômica Mundial, a Toyota anuncia prejuízo de quase 2 bilhões de dólares no último trimestre de 2008, o que levará a montadora a registrar o primeiro prejuízo anual da história.
Esperemos que essa situação se reverta, e que as montadoras possam finalmente re-alavancar suas vendas.