Veja só como um airbag faz diferença. O vídeo abaixo mostra o crash test de dois VW Fox e diz que um é brasileiro e outro é europeu. Desconsiderando esse detalhe, a deformação da carroceria é idêntica em ambos. Ou seja, o Fox brasileiro é tão resistente quanto o europeu.
O que muda é a presença do airbag, que é opcional aqui e vem de série lá na Europa. No Fox preto, sem airbag, o motorista dá com a cara no volante. Sairia bem machucado. No vermelho, sairia andando numa boa, talvez com o corpo dolorido.
Agora imagine a situação. No Brasil, IPI e outros impostos tornam o carro extremamente caro. Carros feitos aqui chegam a custar mais que o dobro de um modelo similar lá fora. Não só isso, o IPVA é caríssimo para carros mais novos e vai ficando mais barato conforme o carro vai envelhecendo, estimulando a população a ficar com seus carros antigos (e inseguros, poluidores, etc). Tem alguém aí que não está colaborando…
Tem muita gente por aí que diz que os carros de hoje são mais fracos, que qualquer coisinha faz um grande estrago neles, e que bom mesmo eram os carros antigos, que tinham “lata de verdade”.
É verdade que carro antigo tem lata “mais forte” em todo o veículo. Só que a resistência das ligas das cabines é a mesma de um paralamas. Ou seja, não havia nenhum estudo de área de deformação, absorção de impacto, nada. O carro simplesmente era feito para não bater, pois se batesse ninguém sabia o que ia acontecer.
Os carros de hoje, porém, são construídos de maneira diferente. O aço usado é sim, mais fino e menos resistente, mas é construído de uma maneira que, em caso de deformação, ele se distorça para amortecer o impacto e desviar peças pontiagudas da cabine. A cabine, por sua vez, além de contar com ligas mais resistentes, ainda tem reforços em todos os lugares mais expostos, prevendo impactos dianteiros, laterais, traseiros ou capotamentos.
Uma prova disso que estamos falando aqui é este excelente vídeo mostrando um impacto frontal entre um Chevrolet Malibu 2009 e um Chevrolet Bel Air 1959, ambos a 60km/h, algo de arrebentar. São nada menos que 50 anos de diferença, 50 anos de inovações tecnológicas separando os modelos. Note como, no começo do impacto, a carroceria do Bel Air deforma pouco, enquanto a frente do Malibu simplesmente desaparece. Mas note depois como a deformação no Bel Air atinge o interior da cabine, prensando o motorista.
O Fusca já é um carro bem antigo, desenvolvido nos longínquos anos 1930. Naquela época, não havia crash tests nem muita preocupação com a segurança. Aliás, era nessa época que estavam saindo os primeiros carros com alguma preocupação aerodinâmica, em comparação com os pouco eficientes calhambeques nesse quesito.
Portanto, não dá mesmo para esperar que o carro seja um primor, que registre escore alto no EuroNCap (outra invenção de nossos tempos). O resultado, óbvio, acaba sendo digno dos piores carros chineses:
O Hyundai Tucson é um carro seguro, com uma boa classificação 4 estrelas da Euro NCAP, a agência europeia que regula a segurança dos carros. O carro tem um nível de deformação aceitável e protege bem os ocupantes adultos. Seu formato, porém, foi considerado inseguro para pedestres em caso de atropelamento, e o carro pode ter de sofrer uma reestilização por conta das novas leis que tem surgido sobre segurança para pedestres.
Uma das coisas que mais prezo quando vou comprar um carro é a segurança do modelo. Afinal de contas, as estatísticas estão aí para mostrar que muita gente acaba morrendo ou ficando com sequelas em acidentes de trânsito que nunca sabemos quando vão acontecer.
Há alguns anos, a Fiat lançou uma versão coupé do Marea, chamada Brava, para substituir o veículo anterior, o Fiat Tipo, derivado do Tempra. O Brava em particular não anda lá muito bem cotado no mercado de usados, a exemplo do sedan, devido à manutenção cara e constante, principalmente nos modelos que foram importados da Itália, antes da nacionalização da produção. Também não ficou em linha por muito tempo. No seu lugar, entrou o Stilo, um carro mais caro mas também, em nossa opinião, de melhor qualidade.
Mas e no crash test, será que a mudança foi boa?
Fiat Brava
Bem que a Fiat fez de não deixar o carro em linha por muito tempo. O carro teve uma avaliação bem pobre da Euroncap, recebendo uma nota 2, quase digna de um carro chinês. Que me desculpem os proprietários de Brava, mas verdade deve ser dita. O carro é uma tragédia nesse quesito.
Fiat Stilo
Ah, agora sim. O Stilo já é um carro diferente. A manutenção é cara, mas não é tão constante quanto à do Brava. E é um carro seguro, com uma boa classificação 4 no Euroncap.
E, para completar… Fiat Tipo
Ainda tem muita gente rodando com esses carros pelo Brasil. Na verdade, há muito mais Tipo pelas ruas do que Brava, pelo menos é o que podemos notar andando por algumas das principais capitais brasileiras. Infelizmente, não temos um link do crash test deste modelo no site da Euroncap, mas temos um vídeo no Youtube, que mostramos abaixo. Também não parece muito seguro. Olhando bem, pode ser até pior que o Brava.
Conclusão
Na Europa, a Fiat não tem fama de fazer carros lá muito seguros em crash tests, mas vem melhorando ao longo dos anos. E isso pode ser visto no crash test do Stilo, um carro realmente seguro. Já as versões anteriores vêm desse tempo em que a Fiat não fazia carros muito seguros. Melhor não correr muito com Brava e Tipo.
Pois é, os carros chineses estão vindo aí. No Salão Internacional do Automóvel de São Paulo foram apresentados alguns modelos fabricados no país mais populoso do planeta. Os carros chineses são baratos, não fosse pela desvalorização do dólar, a Effa M100 sairia por R$ 22 mil, mais barata e moderna que o Mille.
E eles têm modelos de luxo, como os Brilliance aí do vídeo de baixo:
Pois é, mesmo assim, todo mundo anda desconfiado desses carrinhos. E não é pra menos. Afinal de contas, os carros são bonitos porque costumam ter seu designpirateado. Não bastasse isso, ainda vemos marcas chinesas trazerem carros como Hafei Topic e e Jinbei Towner. E não, não são as coreanas da Kia não. São alguma coisa meio diferente… será que tiveram a licença da montadora coreana?
Mas bom, não vamos dar a atenção a nomes e aparência (apesar de que a cópia da Mercedes Classe E – Geely Merie, o carro número 2 – com rodas de 13 polegadas é ridícula). Vamos nos ater à qualidade dos carros. Afinal, design e nome copiados são apenas jogadas de marketing e não necessariamente tiram pontos da mecânica dos carros, certo?
Bem, vamos ver como eles se saem nos crash tests então…
Landwind TUV
O caminhão é mais forte, não é?
Mas será que os europeus se saem melhor?
Já os chineses do C-NCAP (versão chinesa do E-NCAP, o instituto europeu que verifica a segurança dos carros) têm seus próprios vídeos. Neles, os carros aparecem com deformação aceitável. Mas por que eles aceleraram a câmera?
Bom, espero que o vídeo logo acima seja confiável e que os testes fora da China sejam coisa da concorrência. Senão não me agrada muito a idéia de ver esses carros circulando pelas ruas brasileiras. Fico imaginando qual seria a durabilidade das peças e quanta manutenção eles dariam.
Dá medo isso. Desse jeito, melhor andar de Mille mesmo.
Está certo, acidentes não são para acontecer, e dá dó de ver um carro bonito como um Ford Fusion sendo estragado. Mas assim mesmo, a capacidade de um carro aguentar pancadas pode fazer a diferença entre a vida e a morte ou, pior ainda, a invalidez de quem desembolsou uma bela grana por um carro novinho. Como será que o Ford Fusion se sai? Para isso, temos os vídeos abaixo, mostrando primeiro uma batida frontal e depois uma lateral.
Bom, parece que o carro realmente protege bem o passageiro e o mostorista. A deformação da frente foi perfeita, ela se encolheu até próximo à carroceria sem invadir o espaço dos ocupantes. Note o vidro dianteiro, ele sequer se quebra! Na lateral o carro também foi bem, não tendo uma deformação significativa. Com certeza os airbags laterais diminuiriam muito a possibilidade de sequelas para os ocupantes.