Em pouco menos de um mês, o Brasil começará um processo de retaliação comercial contra os EUA, com o aumento dos impostos sobre automóveis que chegam ao país. Com isso, algumas marcas deverão ser mais afetadas que as outras, pois trabalham através de importadoras independentes, que trazem carros ao país com lotes de carros, todos sob encomenda. As montadoras mais afetadas devem ser a BMW e Chrysler.
Como consequência disso, corre-se o risco de alguns clientes cancelarem seus pedidos, devido ao alto valor que os modelos importados atingirão, com impostos de importação chegando a 50%. Esses são dados divulgados pela Abeiva (Associação dos Importadores de Veículos Automotores), que preveem essa queda para daqui a três meses, quando o estoque das importadoras acabar.
O mês de fevereiro não foi bom para as vendas de carro nos EUA, comparado ao mesmo mês do ano passado. A única excessão a essa regra foi o Chrysler, que registrou aumento nas vendas.
A marca vendeu quase 85 mil carros em fevereiro, mas 58% desse total foi vendido para frotistas, que não são consumidores e, sim, grandes empresas que adquirem carros.
Ou seja, apenas 35 mil carros foram vendidos nas concessionárias, diretamente para a mão do público, interessado em comprar um carro novo.
A Chrysler confirmou, dizendo que realmente foi um bom mês de venda para frotistas, mas a venda feita dessa forma, mesmo em grande quantidade, costuma ter um retorno muito baixo. Em comparação, dos 144 mil carros que a GM vendeu, apenas 31% foram para frotistas.
A Chrysler pediu concordata hoje devido a pressões de credores. Fornecedores deixaram de enviar peças à montadora em razão da falta de pagamentos.
Tudo isso levou a fábrica a declarar o encerramento da fabricação de novos carros no dia 4 de maio.
Para escapar da crise, a montadora firmou um acordo com a Fiat e deve receber mais US$ 8 bilhões das autoridades americanas nos próximos meses até que a empresa saia da moratória.
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Há fortíssimos rumores de que a General Motors está para fechar uma fusão com a Chrysler. As duas devem encarar tempos difíceis com a crise que, certamente, atingirá os Estados Unidos em breve. Segundo a Businessweek, a proposta é que a Cerberus Capital Management adquira a maior parte da Chrysler, enquanto mantém sua posição firme na GM. A Cerberus já controla a maior parte (51%) da GMAC, a financeira da GM, e deve ficar com praticamente todo o braço financeiro da Chrysler.
Se o negócio se confirmar, a Chrysler passaria a ser mais uma das marcas a integrar a gigante General Motors, a exemplo de Buick, Pontiac e outras.
Palpite
Deixa eu dar o meu pitaco: o negócio deve mesmo ficar nas mãos da Cerberus e de seus possíveis parceiros. Veja você que a GM acabou de sair de um 2007 horrível, onde teve o segundo maior prejuízo da história do capitalismo (e maior da história da indústria automobilística), nada menos que absurdos US$ 39 bilhões. E 2008 não vinha nada bem também. Mesmo assim, a crise que estourou nos States deve contrair ainda mais o mercado. O bailout de US$ 700 bilhões, que vai ser pago com impostos, óbvio (ou seja, pouco mais de US$ 2,000 a menos, em média, para cada americano gastar com casa, comida, roupa… e carro), também só prejudica o setor. Fica aqui a pergunta: se a maior empresa automobilística americana estava indo para o buraco, será que a Cerberus não acaba caindo junto nessa? Ou o governo vai salvar o negócio, deixar todo mundo feliz e sair sem pagar a conta?