Entrevista com Valéria Zoppello, um exemplo de mulher para o Brasil!
É com muita alegria que estamos hoje publicando uma entrevista com Valéria Zoppello, uma esportista, corredora, empreendedora e um exemplo de garra e determinação para o Brasil e o mundo.
1 – Qual foi sua motivação para entrar no mundo das corridas?
Comecei a correr de kart de brincadeira, disputando entre amigos. A partir daí, entrei em alguns campeonatos indoor com relevantes resultados.
Quando conheci o Dinho e os meninos da banda, começamos a correr juntos. Era um hobby do grupo sempre que estavam em São Paulo.
Fui descoberta por olheiros que me levaram para fazer um teste de kart profissional.
Logo, integrava a equipe Schincariol.
Quando Dinho se foi, decidi me dedicar inteiramente ao kart, pelo amor que nutríamos juntos por essa brincadeira.
2 – O que você prefere, asfalto ou off-road?
Corri o Rally dos Sertões em 2000, e confesso que rolou uma paixão forte pela atmosfera do off-road. Cooperação, solidariedade, e respeito entre os competidores estão em primeiro plano, além de ser uma modalidade muito difundida e com muitas opções de investimento. O contato com a natureza é um fator relevante também, mas dizer pra qual caminho eu vou?
Para o asfalto! Graças à minha base que veio do kart. Adrenalina, circuito fechado, sistemático. O desafio bem nítido de baixar os décimos de segundo a cada volta.
3 – Você sofreu algum tipo de preconceito ao entrar nesse mundo?
Para te dizer a verdade, nunca senti o preconceito como algo que me freasse ou me insultasse, mas os comentários e brincadeiras sempre são regados com certo tempero machista. Já me desentendi com mecânico que disse que eu não acertava o carro porque era mulher, com piloto que fez piadinha por estar andando atrás de mulher… Mas quando as viseiras são abaixadas, e o farol fica verde, não há diferença alguma. Sem dó nem preconceito. Que vença o melhor!!
Em contrapartida, acredito que tenha colhido muito mais frutos por ser uma das únicas mulheres nas categorias em que participei.
4 – Como você vê a participação da mulher nesses esportes hoje?
A participação das mulheres em modalidades esportivas tidas como masculinas está crescendo tanto quanto sua participação no mundo. Adquirimos mais liberdade, confiança e credibilidade com as oportunidades que nos estão sendo dadas. Percebo a dimensão dessa interferência através do meu site (www.mulheraovolante.com.br), onde muitas mulheres põem a boca no trombone contando suas aventuras e conquistas nos esportes motorizados.
5 – E no mundo, o que você acha que ainda podemos evoluir para tornar as mulheres cada dia mais partícipes e protagonistas da sociedade?
Acho que esse assunto acaba sendo polêmico… até onde realmente queremos e podemos ir? Recentemente fiz uma expedição fotográfica e um dos destinos foi o Marrocos. País muçulmano, mulheres absolutamente vestidas, diferenças culturais especialmente em relação ao tratamento das mulheres. Tive a oportunidade de entrevistar algumas dessas mulheres e uma delas me disse, em relação à liberdade: “Nós temos a opção de sermos livres, mas vocês têm a obrigação”. Pois é. Devemos continuar lutando para carregar o mundo nas costas, sempre? Já está bom assim, não é? Aqui no Brasil, somos livres o suficiente.
6 – Sabemos, por índices estatísticos, que as mulheres são melhores condutoras que os homens. Como você se sente quando escuta algum motorista dizendo a expressão “tinha que ser mulher mesmo”?
Acho uma sacanagem (risos). Mas a gente também se pega soltando umas dessas por aí, não é mesmo? Não podemos levar tudo tão a sério. Bom humor, às vezes, é a melhor saída!
7- Você já praticou e pratica muitos esportes radicais, poderia falar sobre suas melhores e piores experiências?
Minhas melhores experiências foram dentro de um carro de corrida. O Rally dos Sertões, sem dúvida, foi algo inesquecível: 5.600 quilômetros em doze dias, atravessando oito estados do Brasil. Alucinante! Difícil! Temerário!
Ao mesmo tempo em que foi uma das melhores experiências, foi uma das piores. Capotamos duas vezes, no primeiro e no último dia, mas nada nos aconteceu e conseguimos completar heroicamente a terceira maior prova off road do mundo. Nesse mesmo rally, morreu o querido projetista e piloto Troller. Foi muito triste e pôs nossos pés no chão sobre o perigo de morte que corríamos a cada curva.
8- Você já foi guia de turismo cultural e de esporte, como foram esses trabalhos? O que você recomenda para os amantes de esportes radicais?
Sempre tive muita vontade de viajar e descobrir novas culturas. Estudei inglês desde muito garota, e isso facilitou minha entrada no mundo do turismo. Trabalhei na Disney, e aos poucos os caminhos foram fluindo para o turismo internacional estilo “mochilão” e dos esportes. Os leitores podem conferir algumas matérias que realizei na Expedição Mediterrânea, através do site www.mulheraovolante.com.br (blog da Lela). Espero que gostem!
9- Nós sabemos que você já chegou a ser campeã de Karatê, poderia contar-nos um pouco mais de seu envolvimento com o esporte? O que o esporte te ensinou?
O karatê foi muito importante na minha formação. Ensinou-me desde muito cedo a competir de maneira saudável, a manter o equilíbrio e a concentração, alem do respeito pela hierarquia. Deu-me também um corpo forte e apto para desenvolver outras habilidades esportivas.
10 – Conta pra gente como é seu trabalho no seu novo site, o www.mulheraovolante.com.br, de onde surgiu essa idéia?
O site Mulher ao Volante é um projeto que vem sendo desenvolvido há um tempo, mas que só agora conseguimos realizá-lo. A idéia é abrir espaço para as mulheres que gostam de motores, para que possam discutir suas dificuldades, expor suas opiniões, contar suas aventuras sobre rodas. Tem sido muito estimulante criar essa comunidade e vê-la crescer com adeptas fiéis. Começaremos a falar sobre outros assuntos pertinentes ao universo feminino também, como moda, saúde, esportes.
11 – Valéria, você é piloto, colunista, repórter, modelo, atriz e esportista. Que mais falta, quais são seus projetos futuros?
Pois é. Não tem sido fácil ser multifacetada (risos). Mantenho o site, tenho uma agência de elenco e produzo. De um tempo pra cá, uma atividade que era hobby tomou dimensões importantes na minha vida: comecei a fotografar, e estou amando!
Em breve, terei uma novidade bem legal pra contar! Vamos aguardar e comemoraremos juntos, ok?
12- Você é vista como um exemplo para várias mulheres que, como você, não querem ser vistas apenas como uma beldade sem outras qualidades. Qual a mensagem que você deixa para elas?
Somos mulheres, mas acima de tudo, seres humanos totalmente capacitados para todas as atividades. Foi-nos dada a liberdade de ação e precisamos saber valorizar isso. Claro que é bacana ser vista como uma mulher bonita, mas há um universo muito mais interessante e estimulante além das formas físicas. “Acredite nos seus sonhos e lute por eles!” Acredite nos seus sonhos…
13- O que você aprendeu com o Dinho? É verdade que a melhor face dele não era vista em público?
Aprendi muitas coisas… Em uma experiência tão intensa como foi nossa convivência, não daria pra passar batido pelos ensinamentos, não é mesmo? Mas acho que o principal foi justamente acreditar em mim, nos meus sonhos, no amor.
Fomos uma dupla e tanto e acredito no amor eterno depois dele.
O Dinho era uma pessoa muito alegre, despojada, amiga, carinhosa, família. Claro que tinha seus momentos de mau humor, mas, quem não os tem?
Ele era exatamente o que o Brasil conheceu. Um homem empreendedor, verdadeiro, talentosíssimo e muito lindo! O Dinho era muito lindo!!
Conheça o site da Valéria, o Mulher ao Volante!
